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  • Sheylli Caleffi

Muitas vezes o problema não é o que você quer falar, mas o que está tentando esconder. Quantos clientes já atendi que chegaram a essa conclusão! Hoje mesmo isso aconteceu.

Um curso não concluído, uma formação questionável em alguma área, um equívoco ou fracasso do passado. Quando tentamos esconder uma parte de nossa história ela pulsa na frente da audiência e pode nos sufocar. Boca seca, gagueira, sintomas de insegurança que nada tem a ver com o domínio do conteúdo mas com compreender que não precisamos ser perfeitos pra compartilhar conhecimento.


Se tem algo que você realmente precisa esconder, talvez não seja você o porta voz ideal dessa mensagem.


Mas geralmente, por experiência, digo que é pura exigência ou falta de habilidade em “como” abordar um assunto. Não somos tão importantes assim. Precisamos entender o nosso tamanho pra sermos humildes perante os outros.


Como diz uma mestre minha amiga “Humildade é você ter o tamanho que você tem - nem mais, nem menos”


#oratoria #falarempublico #comunicacao



  • Sheylli Caleffi

Aqui coloco alguns vídeos e artigos que podem ajudar uma vítima de violência sexual. Infelizmente é o tipo de informação que deveria ser ensinada na escola na aula de consentimento. Se quiser mais informações e grupos de apoio clique aqui!

Fui estuprada, e agora?

Pra onde vou? Hospital ou delegacia? HOSPITAL, SEMPRE! Com a participação do responsável pelo atendimento a vítimas no maior hospital de referência em saúde da mulher no Rio Grande do Sul, o médico ginecologista Jader Burtet. Ele também é responsável pelo treinamento de novos médicos.

Não existe nenhuma doença que atinga tantas pessoas no Brasil como o estupro e ainda não temos uma política publica eficiente sobre isso.

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Diretriz do ministério da Saúde que deve ser usada no atendimento

E quando a vítima não quer falar?

É muito comum, ao ouvirmos um relato de violência, acreditarmos que sabemos melhor que a vítima o que deve ser feito. Só que isso não ajuda de fato. Muitos maridos, namorados, namoradas, amigos e parentes de vítimas me escrevem perguntando o que fazer. Aqui tem dicas :)

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Contar também é MUITO difícil, mas é possível.

Dicas para contar o que aconteceu — caso você queira contar com a participação da Carolina Nalon, especialista em Comunicação Não Violenta.

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Assédio X Paquera

Algumas pessoas alegam ser difícil entender os limites entre assedio e paquera. Esse é um guia pra elucidar algumas dessas "confusões" Assedio Sexual e Encontro Ruim — Qual a diferença?

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Nosso grande inimigo é o silêncio.

Ja fiz algumas palestras para adolescentes e esse vídeo é sobre como falar com jovens é importante!

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Apoio a vítimas de violência sexual

Alguns sites trazem informações para vítimas e seus familiares, bem como endereços de apoio local em diferentes cidades do país:

Grupo de Apoio a sobreviventes de violência sexual "As Incríveis mulheres que vão morrer duas vezes" no facebook

Dossiê contra a violência Sexual, onde tem muita informação de qualidade, excelente para escolas!


Mapa do acolhimento, onde você pode pedir ajuda voluntária de advogadas e psicólogas


Muitas vezes a violência sexual começa com o Relacionamento Abusivo, acompanhe esse podcast


Violência doméstica e sexual

essas duas violências estão super conectadas. A Maria Isabel Panter, que participa do nosso grupo de apoio, viveu momentos terríveis e chegou a acreditar que tirar a própria vida seria a única solução. Hoje ela está super bem e conta sua experiência.

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Guia prático de como lidar com o sofrimento

pra quem não sabe o que fazer quando alguém conta algo terrível: a gente não tem solução para todos os problemas, especialmente os das outras pessoas.

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A importância de pedir ajuda.

Ninguém precisa passar por isso sozinha. Por favor peçam ajuda! Muitas mensagens que recebemos no grupo são de sobreviventes desesperadas e sim, é mesmo desesperador, muitas não resistem a essa dor. Eu mesma já tive muita dificuldade com isso mas garanto a vocês que vale a pena pedir ajuda!

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Assédio no trabalho

O trabalho infelizmente é um local de assédio constante. Nessa live eu e a Olivia Godoy do canal Olivices conversamos com a audiência e trocamos muitas idéias a respeito. Assédio no Trabalho


Sexo depois do estupro

parte 5 — Contar ou não contar? Aqui temos uma série de 5 vídeos falando apenas de sexo depois do estupro. Parte 1: Sexo depois do estupro. Parte 2 — padrão comportamental depois do estupro. Parte 3— verbalizando o estupro. Parte 4 — se não ha consenso, é estupro.

Contar ou não contar? Série de vídeos pro canal SEXnap


Relatos

Muitas pessoas estão unindo força pra falar sobre isso. São milhares de relatos e aqui selecionei alguns deles, especialmente os que tem vídeos:

Karina Buhr, cantora brasileira que denunciou o estupro sofrido por um líder religioso, Xuxa sobre abuso na infância, Jaqueline Heinrichs, Marcus Carnero, Clara Averbuck com um vídeo onde MARIA DA PENHA participa, Olivia Godoy, Jessica Scipioni, Ana Lucia, Nalua, Mônica Martelli, Cleide, Fabiola Melo, Sabrina Bittencourt, Cida em depoimento pra Ong Hella — Grupo de apoio a mulheres vítimas de violência, Andreza Nascimento, Rodrigo Martins fui estuprado quando criança, Fui estuprado pelo meu irmão reportagem da da incrível Geledes — Instituto da Mulher Negra - que faz um trabalho extraordinário, Giselle Itié, Elizabeth Ohene que contou aos 74 anos sobre a violência que sofreu 67 anos antes — nunca é tarde! Andy Woodward: pedófilos se aproveitam do futebol; 25 homens sobreviventes de estupro contam o que ouviram
  • Sheylli Caleffi

Acolhimento: uma mudança urgente dentro de nós

Ela chorava e nós não falávamos nada. Nada. Só mostrávamos que estávamos ali com interesse genuíno, que ali era seguro, que ela tinha autorização pra sofrer.


Todos nós sofremos, em algum momento, mas pouca gente da conta de ver o outro em desespero aceitando que isso também faz parte da vida.

Artes de Andrea Tolaini

Colocar o coração nos problemas. Essa é a coragem que nos falta. De olhar pra cara do horror e ver o que acontece. De enfrentar os problemas de frente mesmo. De ouvir sem interromper uma vítima de qualquer coisa na vida. Eu não sei o que pode ser mais importante do que isso.

Quem vai num evento assim - uma palestra sobre como voltar a ter prazer depois do estupro - está na portinha da cura, do encontro com esse monstro interno que corrói e dói.

No final da palestra quando começamos a conversar sobre falar de nossos traumas, uma moça chorava pra dentro e a única coisa que conseguia balbuciar era “como dói” — quando conseguia emitir som. Era um choro tão dolorido que a sala ficou em silêncio e uma corajosa amiga começou a cantar. Juro! Ela simplesmente começou a cantar uma música linda pra quebrar aquele silêncio de reconhecimento, o que aumentou a compaixão de todas.


A que chorava foi abraçada por uma desconhecida, e depois por outra. Ambas em silêncio, abraçando. Essa segunda que foi acudi-la também tinha sua história de dor e eu observei que todo o seu corpo começava a colapsar. Algo precisava sair. Enquanto ela abraçava a primeira, eu fui lá abraçá-la e ela desmoronou. Começou a chorar tentando conter e logo estava a plenos pulmões. Eu me acomodei no chão e ela deitou no meu colo.


Comecei a pensar que se eu tivesse tido uma filha quando era bem nova, poderia ser ela. E eu alisava seus cabelos e trazia todo amor que eu tenho em mim. Sem falar, sem julgar, sem tentar fazer com que ela parasse. Isso é enfrentar a vida de frente, deixar ela acontecer. Todos nós precisamos chorar as nossas dores ou elas vão nos sufocar por dentro.


Quando ela começou a se acalmar eu comecei a brincar sobre um colar que ela usava e logo o choro se misturou com riso e na mesma altura em que ela pôde chorar ela também começou a rir e depois a gargalhar. Lágrimas e risos se misturavam e a vida estava ali embalando nós duas num momento verdadeiro.


Estávamos numa sala cheia de mulheres e era como se nos projetássemos pra um outro lugar quentinho e seguro onde não tem problema ser quem a gente é.


Ela então me contou a história de uma personagem (acho que era Mazumi), que faz parte de um mito. Um dia o Sol se escondeu numa caverna e pra faze-lo aparecer a Mazumi o fazia rir. A partir daí eu apelidei essa mulher de Sol, e é assim que eu vou lembrar dela.


O problema não é falar de um trauma, é achar que está falando em vão. Que todo o esforço de entrar em contato com esses sentimentos não mudará nada ou vai piorar alguma coisa. Muitas mulheres contam seus traumas e são tratadas de forma diferente por quem dizia ama-las.

É nosso dever aprender a escutar. Quando me perguntam como eu aguento ouvir tantos relatos de estupro eu digo que meu único "dom" é saber ouvir o horror sem me misturar. Não sei o que pode ser mais importante que isso hoje. Todos estamos preocupados com o futuro e com a tecnologia e essa urgência não é sobre esse tipo de inovação mas sobre transformar nossas relações com as tragédias humanas.


Comentei sobre esse dia com uma amiga e ela disse "Como pode ter sido bom se tanta gente chorou?" E a minha resposta é "Temos o direito de sofrer e precisamos exercer esse direito."


Ouvi uma frase que a primeira moça que caiu em pratos falou depois agradecendo estar ali: "Em 30 anos eu nunca falei pra ninguém"


Nada é mais importante que isso gente. As pessoas precisam exercer o direito de se apropriarem de suas histórias. Do que aconteceu com elas — seja lá o que for! E elas só o farão se nós pararmos de julgar.

Isso muda o mundo delas e o mundo ao redor delas. Eu sei disso porque eu vivi isso na minha pele e junto com tantas mulheres e homens que dividem comigo suas dores. Eu não sou especialista, sou apenas uma sobrevivente. Não é sobre entender desse assunto ou ter uma formação, é sobre ser humana.


Essas situações catárticas acontecem em alguns dos cursos que eu ministro sobre violência sexual e elas sempre trazem benefícios. Eu recebo relatos lindos como esses:


Uma mulher adulta que decidiu contar pros filhos sobre o estupro que sofreu na adolescência. Ela me escreveu pra contar que foi impressionante. O filho começou a se engajar mais em causas feministas e uma das filhas (que andava distante) contou que também tinha passado por isso. Juntas elas estão se curando. "Como vítima eu posso me curar junto com ela e como mãe posso dar a ela o conforto que eu não tive"

Uma outra mulher questionou os pais que não tinham acreditado nela e contou pros irmãos o porque não suportava um dos parentes. Ela sempre foi considerada agressiva e agora todos puderam rever suas atitudes com ela nos últimos 20 anos.


Muitas decidiram buscar ajuda pra denunciar legalmente.


Algumas percebem durante o curso que foram estupradas e esses momentos me doem demais. Temos tantas idéias erradas sobre violência que nos acostumamos a dar as mãos pra ela como se fosse nossa amiga.


Eu garanto a todos vocês que a vida pode ser leve e alegre. É uma escolha. Uma escolha que podemos fazer juntos e pra escolher isso é só se conectar com o que tem de mais humano em você, mas não é possível fazermos isso sozinhos. É no contato com os outros que vamos crescer o nosso coração, a nossa compaixão. É participando da vida que criamos coisas extraordinárias e aprendemos que ela tem disso mesmo, as vezes ela dói. Nós não podemos nos livrar das tristezas mas também não podemos nos livrar das alegrias.


Você é muito importante, você pode ser o colo de alguém, pode pode ser um porto seguro de alguém que você nunca viu na vida, não é sobre tempo ou intimidade, é sobre disposição sincera em se doar pro outro.


Sempre que você empacar na vida, ficar perdido, se doe, a resposta está na interação, está na relação, na conexão com as pessoas. A criatividade está aí.

Você não precisa salvar a humanidade, você pode salvar um momento na vida de alguém. E aí você vai perceber que nem era sobre essa outra pessoa, era o seu coração querendo ficar maior. Mais potente e amoroso.


Se precisa de ajuda ou quiser mais informações sobre esse tema, clica aqui!